"Eu olhava esse menino, com um prazer de companhia, como nunca por ninguém eu não tinha sentido. Achava que ele era muito diferente, gostei daquelas finas feições, a voz mesma, muito leve, muito aprazível. Porque ele falava sem mudança, nem intenção, sem sobêjo de esforço, fazia de conversar uma conversinha adulta e antiga. Fui recebendo em mim um desejo que ele não fosse mais embora, mas ficasse, sobre as horas, e assim como estava sendo…"
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(Fonte: amoremdoseselevadas, via newinds)
"Eu ouço seu coração chamar por amor,
E você age como se não houvesse espaço.
Espaço pra mim ou qualquer outra pessoa.
“Não incomode” é tudo o que vejo."
"Ah, por favor! Não me obrigue a cantar tão alto, não me obrigue a correr tão rápido, não venha me ensinar como varrer meus cantos se mal conhece a poeira de casa. Poupa o esforço da minha garganta de dizer tantas coisas que nem sei. Pare de roubar minha sorte, não solte minha mão enquanto eu caio, me dê o primeiro pedaço de bolo. Abre mais as janelas, deixa entrar um pouco de sol, não vou mais guardar estrelas em potes de geléia. A noite está morando no meu quarto agora, dividindo a cama comigo, deixando tudo lento e preguiçoso. Ah, por favor! Chegue logo e deite do meu lado enquanto durmo. Beije a ponta do meu nariz, encaixa teu abraço no meu pescoço e me acorda logo desse sonho estranho. Me dá teu sim."
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(Fonte: flor-de-papel, via imersa)
Você tem cara de insônia, comprimidos e bebidas geladas. Tudo misturado.
Eu a olhei, acariciando o finalzinho do cigarro que queimava minhas mãos.
_Do que mais? - perguntei.
_Disso não basta? - ela sorriu.
_Sabe… eu não confio muito em pessoas sãs.
_E você diz que eu sou sã porque não bebo?
_Não por isso. Você não fode, come pelas beiradas, cuida demais de tudo. Nem sei se isso é ser sã.
_Eu não acho que seja.
_Do que mais? - perguntei novamente, dando a última tragada no cigarro.
_De carros que bateram em um dia de chuva.
_Por causa dos comprimidos e da insônia?
_E dessa bebida gelada.
_Ah. - assenti.
_Por que você fala tanto sobre estrelas?
_Eu falo?
_Fala. Sempre com eufemismos, mas fala. Um dia você me ligou de madrugada e perguntou “o que está morrendo?” e eu fiquei em silêncio, tentando pensar. Aí você disse “as estrelas” e desligou.
_Eu me lembro disso. Faz muito tempo.
Ela riu. Não entendi.
_Do que você tem tanto medo, Clarice?
_Medo?
_É. Olha só sua postura, seus braços na defensiva, seu olhar despreparado, seu cabelo no rosto. Você está se defendendo de que?
_Olha, tem muita coisa para se preocupar na vida. Por exemplo, porque aquela rua continua esburacada. É uma preocupação relevante. Não, na verdade. Não é. - falei enquanto acendia outro cigarro.
_Eu adoraria passar mais tempo com você. - ela disse, se levantando. - Você é uma das melhores pessoas que eu poderia estudar.
_Ah, é? - olhei seu quadril se remexendo enquanto ela ajeitava a bolsa.
_Qualquer dia eu tiro uma folga de toda essa minha bagunça e mergulho na sua.
_Sem muitas metáforas.
_Na verdade, com muitas metáforas.
Assenti, sorrindo.
_Te vejo no próximo trem. - ela falou, pegando um limão que estava sobre a mesa.
_Na próxima estação. - eu disse.
Ela assentiu, chupando o limão.
_Não se esqueça das estrelas. - me olhou, fazendo careta como criança. E sorriu.
"Eu sou forte. Eu sou forte! Mas lhe juro, naquele instante, tudo pesou toneladas."
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(Fonte: a-m-a-g-o, via imersa)
"Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo
E quando eu vejo o mar,
Existe algo que diz,
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem."
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(Fonte: eles-e-eu, via tempestade-em-copodagua)
"Eu sou feito de sonhos interrompidos, detalhes despercebidos, amores mal resolvidos. Sou feito de choros sem ter razão, pessoas no coração, atos por impulsão. Sinto falta de lugares que não conheci, experiências que não vivi, momentos que já esqueci. Eu sou amor e carinho constante, distraída até o bastante, não paro por instante. Já tive noites mal dormidas, perdi pessoas muito queridas, cumpri coisas não-prometidas. Muitas vezes eu desisti sem mesmo tentar, pensei em fugir para não enfrentar, sorri para não chorar. Eu sinto pelas coisas que não mudei, amizades que não cultivei, aqueles que eu julguei, coisas que eu falei. Tenho saudade de pessoas que fui conhecendo, lembranças que fui esquecendo, amigos que acabei perdendo. Mas continuo vivendo e aprendendo."
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(Fonte: cerimoniais, via desapegar-se)